Em um momento gravíssimo com grandes ataques à democracia e à educação pública, os senadores concluíram o desmonte da Previdência Social. Em 2019, ano em que as lutas tomaram incansavelmente as ruas, mais um direito nos foi retirado, o direito de nos aposentarmos com dignidade. Por 60 votos a 19, os senadores aprovaram, em segundo turno, o texto da Reforma da Previdência.

A Proposta de Emenda Constitucional 06/2019 tornou-se pauta na agenda de lutas da Associação dos Docentes da Unemat (ADUNEMAT) antes mesmo da apresentação da PEC, em fevereiro, pelo governo de Jair Bolsonaro. A Reforma propôs uma série de mudanças na forma como os trabalhadores e trabalhadoras irão se aposentar no Brasil, mudanças essas que retiram o direito a uma aposentadoria com um mínimo de dignidade, pois aumenta o tempo de contribuição para o acesso ao benefício integral, estabelece idade mínima para a aposentadoria, reduz o valor da pensão por morte, limita o acúmulo do benefício com a aposentadoria, e também diminui o benefício por incapacidade. Ou seja, o texto corta valores dos benefícios e endurece o acesso para aposentadoria e pensões de trabalhadores, viúvas e filhos.

Nas assembleias tomamos decisões importantes e deliberamos por resistir. Formamos, nesses últimos meses, uma grande unidade com diversos segmentos da sociedade, movimentos sindicais, movimentos sociais, gestores, deputados e estudantes na luta contra a Reforma da Previdência. Construímos uma grande campanha no Estado com instalação de outdoors de conscientização sobre os ataques vindos da PEC 06/2019. Buscamos incansavelmente a unidade de nossa categoria e fomos às ruas no Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência, em 22 de março. Continuamos ocupando as ruas durante o #15M, o #14J e o #13A, estivemos denunciando esses desmontes nos espaços públicos, nas universidades e nas ruas com faixas, cartazes, atividades, palestras, panfletagem e aulas públicas, sempre na tentativa de reforçar o quanto a Reforma da Previdência era nociva aos trabalhadores e trabalhadoras. Fizemos passeatas, participamos de audiências públicas e dialogamos com a sociedade. Não nos faltaram esforços para conter o fim da previdência.

A aprovação da Reforma da Previdência é a materialização da correlação das forças golpistas da elite brasileira que ataca os direitos do povo brasileiro. No entanto, não é o fim da resistência dessa nossa gente que há muito lutou para garantir a dignidade, depois de anos de trabalho! Não é o fim dos esforços das entidades de representação da classe trabalhadora, diante de uma elite odiosa que se lambuza na sujeira dos grandes acordos nacionais.

Continuaremos resistindo pelo povo brasileiro, continuaremos comprometidos na defesa da democracia, com a luta em defesa da educação pública e gratuita e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Seguiremos buscando formas de atuação para a construção de manifestações e resistência aos próximos ataques que virão. Pois eles virão!