Em defesa da vida e dos serviços públicos, servidoras e servidores públicos de todo o país realizarão amanhã, nesta quarta-feira (18), uma Greve Geral dos Servidores Públicos Contra a PEC 32/2020 (Reforma Administrativa). Juntos à sociedade geral, aos sindicatos e às entidades, as trabalhadoras e os trabalhadores do funcionalismo público das três esferas – municipal, estadual e federal – vão a luta contra as medidas propostas pelo governo Bolsonaro e seus aliados em uma série de mobilizações presenciais e online ao redor de todo o país.

Em Mato Grosso, não será diferente. As cidades de Cáceres, Cuiabá e Sinop já confirmaram atos para a data. Com início programado para às 8h (horário de MT), as ações serão divididas entre panfletagem nas ruas e as falas de dirigentes e militantes. Em Cáceres, a concentração será na Av. 7 de Setembro (em frente aos Correios). Já na capital, a Praça do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (em frente ao Pantanal Shopping) será o local de ocupação. Enquanto em Sinop, a concentração será feita na Av. Júlio Campos (em frente à Caixa Econômica). Anote na sua agenda e venha conosco!

Para se informar ainda mais sobre a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) e seus malefícios à população brasileira, leia o artigo a seguir:

 

O povo precisa dos serviços públicos. A Reforma Administrativa vai acabar com eles

(Fonte: Frente Baiana pela Educação)

A Reforma Administrativa (Proposta de Emenda à Constituição 32/2020), de autoria do governo de Jair Bolsonaro, vai levar ao desmonte do já frágil sistema de proteção social do Brasil.

A tentativa deliberada do desmonte do serviço público é capitaneada pelo ex-banqueiro Paulo Guedes (que é também um dos principais responsáveis pela interminável crise econômica pela qual passa o Brasil), uma pessoa que não se cansa de demonstrar sua total intenção de atender aos desejos do sistema financeiro, de onde veio.

Para tentar enganar a sociedade, o governo construiu uma narrativa mentirosa de que, com a Reforma Administrativa, o Estado ficará menos “inchado” e que o suposto privilégio vai acabar. Já ouvimos esse discurso antes.

Quem não se lembra de Fernando Collor de Mello, que foi eleito presidente da República sob a bandeira de ataque aos servidores. Ele se dizia “caçador dos marajás”, mas não passava de uma farsa apoiada por setores que desejavam se apropriar do poder público.

Esse é o mesmo discurso usado pelo atual governo. Coincidência?

Essenciais

A pandemia do novo Coronavírus vem provando que a população precisa dos serviços públicos, e muito. Enquanto a maioria da população teve que cumprir com o necessário isolamento social, os servidores das mais diferentes carreiras continuaram trabalhando para garantir o amparo que a sociedade necessita. Seja nos hospitais ou nas unidades públicas de Saúde, estão na linha de frente, se arriscando diariamente para salvar a vida da população, ou cuidando para que medidas sanitárias ajudem a conter a doença.

Estão nas ruas e nas unidades prisionais, cuidando da segurança pública ou do acesso à Justiça.

Na educação de todos os níveis, tiveram que se desdobrar para manter as atividades de forma remota, adaptando-se a novas tecnologias, alterando metodologias e arcando com as despesas, com pouco amparo de suas instituições ou dos governantes.

Nos órgãos de pesquisa, produzem vacinas que estão salvando a vida de milhões de brasileiros. E nas universidades públicas, desenvolvem pesquisas para aprimorar procedimentos de testagem e novas vacinas. No dia a dia, mesmo que muitas pessoas não percebam, estão sendo beneficiadas pela ação dos servidores públicos, pois são eles que trabalham para que a população tenha direitos básicos garantidos e uma vida com mais dignidade e bem-estar.

Mais de 80% da população necessita exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). E milhões de pessoas que possuem plano de saúde só conseguem atendimentos de alta complexidade na rede pública. E é o SUS que está garantindo a vacinação em massa (quando há vacinas disponíveis, por causa da lentidão do governo Bolsonaro).

Ou seja, se não fosse o SUS, a tragédia da pandemia (que já é catastrófica) seria ainda maior no Brasil. Mais de 85% dos alunos no ensino fundamental e médio utilizam escolas públicas.

90% da ciência brasileira é produzida nas universidades públicas, que correspondem a 42 das 50 melhores instituições de ensino superior do país, segundo os rankings mais renomados. E também lideram os rankings de qualidade na América Latina.

É preciso lembrar também que nosso país ainda é marcado por profundas desigualdades históricas. Por isso, a abrangência dos serviços públicos vai além e garante que o Estado possa desenvolver a proteção ao meio ambiente, geração de emprego e renda, infraestrutura, assistência social, cultura, urbanismo, gestão ambiental, abastecimento, desenvolvimento agrário, habitação, previdência social, saneamento, transporte e inúmeras outras ações.

Então, quem se beneficia com o fim dos serviços públicos?

E a quem interessa impedir que o Estado atenda às necessidades da população? Somente àqueles que desejam se apropriar do que é público, para obter o máximo de lucro possível. E é por isso que eles apoiam a Reforma Administrativa. Os recursos que hoje são aplicados em políticas públicas serão destinados para empresários e grupos econômicos.

O projeto vai enfraquecer os serviços públicos e excluir uma massa gigante de brasileiros que encontram neles a sua única forma de proteção social.

É só mais uma prova que aqueles que comandam o país não possuem um projeto para levar o Brasil rumo ao desenvolvimento.

Querem apenas acabar com o futuro do nosso país.