O QUE HÁ POR TRÁS DA RETÓRICA CHEIA DE ÓDIO DO SENHOR MINISTRO DA EDUCAÇÃO

A debilidade presente nos os discursos do Presidente da República e de toda a sua equipe é assustadora para não dizer aterrorizante. Não conseguem sustentar uma narrativa se quer.  Suas retóricas, apoiadas em conteúdos infundados e constituídas para inflar a onda da ignorância em que estão imersos os apoiadores do governo atual, são facilmente derrubadas por qualquer investigação que se faça da realidade brasileira.  É o caso da  entrevista do Ministro da Educação Abraham Weintraub ao Jornal da Cidade.

De fala mansa, débil, demonstrando uma capacidade intelectual, no mínimo duvidosa, e uma habilidade imensa para  causar um constrangimento coletivo, em quem tem alguma noção da realidade, o ministro afirmou que as universidades públicas brasileiras possuem extensos plantios de maconha, que se utilizam das “tecnologias” em seus laboratórios para  produzirem drogas sintéticas. Talvez o teor do discurso do  ministro tenha sido inspirado no  alinhamento que o seu chefe tem com as milícias que comandam o tráfico de drogas e seus negócios criminosos no Brasil.

Obviamente, o que o ministro pretende é criar uma narrativa que induza o público a ver as universidades públicas brasileiras como  espaços que usam os recursos do Estado para fins criminosos e com isso justificar as intervenções do governo na autonomia universitária, como o que tem feito, principalmente,  através das indicações golpistas dos reitores das IES. Desconsideram e desrespeitam a base e a democracia interna das instituições. Querem, possivelmente, preparar o terreno para a criação de justificativas para futuros e possíveis desvios de recursos da educação pública  pelo Plano Mais Brasil para empresas privadas e consequentemente levarem  as instituições de ensino público caírem em estado de sucateamento.

O que está por trás da pobre retórica do senhor ministro é o Plano Mais Brasil, que ataca os direitos dos funcionários públicos, reduz salário enquanto restringe a carga horária de trabalho, abre precedentes para transferir dinheiro da educação para saúde, proíbe concursos públicos, ou seja, desmonta o estado brasileiro, enquanto enriquece ainda mais as elites com os recursos constituídos as custas do empobrecimento dos menos favorecidos.

A Associação do Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso – ADUNEMAT, vem a público repudiar esse ato criminoso do senhor ministro. Acreditamos que a desvalorização do trabalho docente do senhor ministro advém do seu reduzido currículo lattes, o que revela o quanto ele pouco se pré-dispôs ao trabalho docente. Entende-se que  o trabalho docente se constitui de incansáveis  horas de produção intelectual e na  busca por qualificar ainda mais o processo de produção universitário.  Assim fica evidente, no tom e conteúdo da  fala de Weintraub, o inverso daquilo  que  os docentes, discentes e  cientistas em si  buscam todos os dias,  erradicar a ignorância e a pobreza intelectual. O ministro e todo o governo brasileiro atual,  transformam os trabalhadores da educação superior e o meio universitário em objeto de ódio na perspectiva uma parcela da população brasileira. O que antes era enaltecido e valorizado nos governos anteriores, a formação de nível superior e os grandes projetos científicos e de produção do conhecimento são rebaixados, na política vigente, à condição de ser maléfico à sociedade brasileira.

Em nota, muitos sindicatos se manifestaram contra as criticas infundadas do Ministro em relação às universidade públicas. Confira abaixo a nota do Fórum Renova ANDES e do ANDIFES, que somam à luta contra os ataques do Ministro.

 

Declarações do ministro da Educação sobre as universidades federais
Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior

O ministro da educação do Brasil, Abraham Weintraub, parece nutrir ódio pelas universidades federais brasileiras. Afinal, as instituições das quais deveria cuidar, cabendo ao Ministério estruturar e aperfeiçoar, são a todo momento objeto dos ataques de sua retórica agressiva. Todos já vimos tal agressividade ser dirigida, por exemplo, contra estudantes (sobretudo as suas lideranças), contra professores — tratados como marajás, “zebras gordas” — e mesmo contra gestores (sobretudo gestoras), como se fossem adversários. Vemos ser desvalorizada a produtividade das nossas instituições e serem atacadas, em particular, as áreas pertencentes às humanidades. E, a todo momento, números são chamados a servir à imagem distorcida de que as universidades são excessivamente caras e que, portanto, deveriam sofrer ainda mais restrições orçamentárias. Já o vimos, enfim, classificar as universidades federais como o lugar da “balbúrdia”, invocando outrora essa razão para um bloqueio orçamentário.

Entretanto, em vídeo recentíssimo, o Ministro Abraham Weintraub ultrapassa todas as fronteiras que devem limitar, sobretudo, os atos de um gestor público do alto escalão da República. Sem fazer quaisquer mediações, afirma que as Universidades Federais são “madraças de doutrinação”, ofendendo a um só tempo toda a comunidade acadêmica e a fé muçulmana; afirma ademais que foi criada uma “falácia” segundo a qual as universidades federais precisam ter autonomia, ignorando que essa “falácia” na verdade é mandamento previsto na Constituição brasileira (art. 207) e que um ministro de Estado atentar contra ela constitui crime de responsabilidade (art. 4º, “caput”, c/c art. 13, I, Lei 1.079/50); e afirma, ultrapassando todos os limites, que algumas universidades federais têm “plantações extensivas de maconha” com o uso até instrumentos tecnológicos para seu cultivo, além de afirmar que “laboratórios de química” das universidades se transformaram em usinas de fabricação de drogas sintéticas, como metanfetamina. Enfim, estende essa suspeição a todas as instituições, pois, segundo ele, “cada enxadada é uma minhoca”.

Se o Sr. Ministro da Educação busca, mais uma vez, fazer tais acusações para detratar e ofender as universidades federais perante a opinião pública, mimetizando-as com organizações criminosas, ele ultrapassa todos os limites da ética pública, indo aliás muito além até de limites que já não respeitava. Nesse caso, o absurdo não tem precedentes. De outro lado, se o Sr. Ministro, enquanto autoridade pública, efetivamente sabe de fatos concretos, sem todavia apontar e denunciar às autoridades competentes de modo específico onde e como ocorrem, preferindo antes usá-los como instrumento de difamação genérica contra todas as universidades federais brasileiras, poderá estar cometendo crime de prevaricação. Assim, diante dessas declarações desconcertantes, a ANDIFES está tomando as providências jurídicas cabíveis para apurar eventual cometimento de crime de responsabilidade, improbidade, difamação ou prevaricação.

A ANDIFES reitera, na contramão da retórica do Sr. Ministro da Educação, aquilo que todos os indicadores e rankings nacionais ou internacionais, públicos ou privados, demonstram de modo inequívoco: as universidades públicas são o berço da produção da ciência e tecnologia do nosso país, são essenciais à soberania nacional, ao desenvolvimento econômico e à formação das nossas futuras gerações. São, enfim, um verdadeiro patrimônio do povo brasileiro, que precisa ser valorizado, cuidado e incentivado.

 

De “Kafta” à droga sintética: o presente e o Future-se que não queremos! 
Fórum Renova ANDES

O Ministro da Educação, Abraham Weintraub, publicou um vídeo em que ataca frontalmente as universidades públicas brasileiras, afirmando que tem grandes plantações de maconha em seus espaços e que produzem drogas sintéticas em laboratórios. Tem sido prática obstinada do Ministro propagar fake news sobre essas instituições de ensino. Os frequentes ataques direcionados a essas instituições tem o propósito de confundir e colocar a população contra as que produzem grande parte do conhecimento, da ciência, da tecnologia, da pesquisa e extensão no país, além da formação de qualidade socialmente referenciada e referendada pela sociedade brasileira. Ademais, essas narrativas pretendem corroborar com seu projeto de destruição das universidades, através do Projeto Future-se e outros de igual gravidade e perversidade, dos ataques a professores e às gestões democráticas das mesmas. Aliás, o ódio ao conhecimento, à ciência, as Universidades e Institutos Federais, e à categoria dos professores tem sido uma marca persistente desse governo.

É inadmissível um Ministro da Educação, que deveria ser o defensor dessas instituições de inegável valor à sociedade brasileira, proferir tantos ataques sem qualquer responsabilização e sem quaisquer condições técnicas, intelectuais e mentais de estar no cargo!

WEINTRAUB É A CARA DESTE GOVERNO DE MILICIANOS. NEM ELE E NEM O GOVERNO ESTÃO à altura dos desafios da educação brasileira, que são muitos: faltam verbas, remuneração adequada aos professores, estrutura, condições de estudo e trabalho, capacitação, dentre outros!  Há que se avançar na democratização e no aumento de verbas para a educação, com vistas a ampliar o acesso e a reparação histórica para a população negra, indígena e pobre do país. POR ISSO, É NECESSÁRIO ABRIR CAMINHO PARA O FIM DO GOVERNO BOLSONARO!

Exigimos a valorização da categoria dos professores, demais profissionais da educação e das instituições públicas de ensino, que corroboram histórica e inegavelmente para a construção da sociedade brasileira, a despeito dos imensos desafios que temos!

Chamamos o Andes-SN, demais sindicatos da Educação, a ANDIFES, os Conselhos Universitários das IES, Deputados e Senadores, e demais interessados a se pronunciar contra esses ataques, com notas, manifestações e com a devida responsabilização jurídica, frente as calúnias proferidas contra as instituições de Ensino. Prezado Ministro: “VOCÊ NÃO SABE A ENERGIA QUE RESIDE NO SILÊNCIO”, Franz Kafka.