O Grito dos(as) excluídos(as) 2019

Esse sistema não vale: lutamos por justiça, direitos e liberdade

Ou então cada paisano e cada capataz
Com sua burrice fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
nas Caatingas e nos gerais […]
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais (Caetano Veloso, in: Podres
Poderes)

As tragédias como a destruição em Brumadinho e as queimadas na floresta amazônica e no cerrado revelam as atrocidades de um sistema que despreza a vida neste país. E, assim, organizam uma degradação que causa mortes e desaparecimento de condições dignas nos diversos espaços sociais. É um sistema de destruição do planeta, nossa casa comum como diz Papa Francisco. Setores da sociedade constroem castelos a partir de exploração desenfreada dos seres humanos e da natureza, para deleite de uma elite que dorme distante do ronco da fome e dos gritos da pobreza da população brasileira e do mundo inteiro.

Ao construir como tema VIDA EM PRIMEIRO LUGAR e tendo como lema ESTE SISTEMA NÃO VALE: LUTAMOS POR JUSTIÇA, DIREITOS E LIBERDADE, está acontecendo em todo o Brasil a 25ª edição do GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS deste País. Desse modo, o movimento de 2019 busca denunciar o sistema capitalista de exploração, suas crises e seu rastro de sangue e morte que recai sobre as populações e sobre os distintos ecossistemas no Brasil.

Após o caso da Vale do Rio Doce que, neste ano, dizimou parte da população de Brumadinho, assistimos recentemente o fogo na floresta amazônica e no cerrado, ceifando vidas de seres humanos, impactando de forma imensurável a fauna e a flora, enfim, produzem horrores e selvagerias com as populações nativas, ribeirinhas, indígenas e quilombolas. Precisamos gritar contra essas injustiças. Não há porque aceitar e concordar com tais desígnios e produções de morte. Até porque o sistema está produzindo muito mais perversidades do que imaginamos.

Desde os anos de 2016 com o governo do golpista Michel Temer até os dias atuais com o (des)governo de Bolsonaro testemunhamos a implantação de ações e de horrores que tomou conta da vida neste país. Com a perversa busca por lucro fácil limitaram as políticas públicas sociais, retiraram verbas do custeio de programas de assistência aos empobrecidos, retiraram direitos sociais de trabalhadores e trabalhadoras, destruíram o sistema de previdência solidária do nosso povo, impediram as manifestações sociais e as reivindicações da classe trabalhadora, desorganizaram a vida social, atacaram instituições de ensino, produziram fake news e difundiram mentiras contra as organizações de luta visando construir um mundo onde somente a elite reina e diz o que pensa. É assim, procurando manter a população brasileira silenciada por vozes “negacionistas” e obscurantistas que querem o controle da sociedade da nossa Pátria. E isto vem em forma de desemprego, miséria, queimadas, mortes, violência, fome e pobreza. Não vamos nos calar diante desses fatos humanamente vergonhosos.

Com a intenção de mostrar a realidade é que o GRITO DOS(AS) EXCLUÍDOS(AS) 2019 solta a voz e faz ecoar gritos de esperança, para fazer cessar o movimento de ataque aos direitos de homens e mulheres deste País, cessar esses abusos do capital, lutar contra esse sistema injusto e opressor, construir uma casa comum que tenha justiça e fraternidade, solidariedade e enfrentamento das desigualdades, são esses os compromissos de cada cidadão e cidadã que sonha e luta por democracia na sociedade contemporânea.

É hora de ganhar as ruas, construir outras relações de vida, apagar os incêndios e superar as mortes produzidas por esse sistema vigoroso, para DESTRUIR O IMPÉRIO DA IDEOLOGIA DA CRUELDADE E DA MISÉRIA. É esse o nosso papel e a tarefa de cada um nesta sociedade do ódio e da mentira, da crueldade e da tristeza, da desesperança e da falta de paz. É hora de lutar por democracia e liberdade, vida plena e em abundância na nossa casa comum, o nosso planeta terra, a partir do Brasil.

À luta companheiros e companheiras!